Diagnóstico das potencialidades do município de São Joaquim para a implantação de uma rota enoturística: resultados preliminares

CORDEIRO, Wilton Carlos ; Nutricionista, mestre em Agroecossistemas, Professor; Instituto Federal de Santa Catarina, câmpus Florianópolis-Continente; Florianópolis-SC; wilton@ifsc.edu.br

MIRANDA NETO, Danusia ;Estudante bolsista; Instituto Federal de Santa Catarina, câmpus Florianópolis-Continente; danusia_miranda@hotmail.com

FERREIRA, Eunice ; Jornalista colaboradora MTB 4755; eunice@iday.com.br

PALEI JUNIOR, Guerrando ;Estudante bolsista; Instituto Federal de Santa Catarina, câmpus Florianópolis-Continente; guerrando.jr@gmail.com.

PALEI, Marcia Maluf; Estudante bolsista; Instituto Federal de Santa Catarina, câmpus Florianópolis-Continente; marciamaluf@yahoo.com.br

RESUMO:

O enoturismo é um reflexo positivo do crescimento da cultura do vinho no Brasil, principalmente na Serra Gaúcha. O fluxo de pessoas à região promove o consumo e a divulgação, não apenas do vinho, mas de outros produtos da região da qual é rica, inclusive sua cultura (ZANINI, 2010).

O enoturismo é um segmento da indústria do turismo, cuja motivação para o deslocamento do consumidor é o vinho e as regiões vinícolas (COSTA e KASTENHOLZ, 2009).

É um conceito em construção e há uma clara tendência a defini-lo como parte do turismo rural. Pois, não apenas o vinho é o motivador, mas a paisagem rural que as regiões vinícolas sugerem (NOVAIS e ANTUNES, 2009).

Em diferentes regiões vitivinícolas do mundo, o enoturismo é concretizado através das Rotas de Vinho. O fenômeno torna a atividade mais organizada e competitiva, sinônimo de desenvolvimento regional. A Rota do Vinho caracteriza-se por ser uma forma de articulação da vitivinicultura com outras atividades, destaque para o aproveitamento turístico do ambiente rural (SIMÕES, 2008).

No Brasil, o fenômeno das Rotas de Vinho é mais evidente no Rio Grande do Sul, até por uma questão histórica.

Recentemente Santa Catarina despontando no cenário vitivinícola brasileiro e São Joaquim destacando-se neste setor, o enoturismo torna-se um filão econômico importante para o desenvolvimento local.

Conhecida pelo frio, a cidade vai se firmando com produtora de vinhos de qualidade. As características edafoclimáticas da região se revelaram especiais para a produção de vinhos de qualidade (CORDEIRO, 2006).

O sucesso dos empreendimentos vitivinícolas tem atraído turistas à região. Assim, São Joaquim apresenta fortes indícios para a criação de uma Rota de Vinho. Para tanto se faz necessário um estudo que identifique os produtos turísticos locais, que associados aos vinhos da região, podem constituir a este produto. Contudo, a cidade carece de infraestrutura para receber os turistas (BATHKE, 2002).

O objetivo deste trabalho foi realizar o diagnóstico das potencialidades do município de São Joaquim-SC, para constituir uma futura Rota Enoturística.

Para atender ao objetivo, foram relacionados e avaliados os estabelecimentos de hospedagem e restauração; e identificadas as vinícolas e os atrativos naturais e culturais do município.

O projeto caracterizou-se como uma pesquisa de cunho qualitativo, descritiva. Pois, objetivou apresentar um quadro das potencialidades da região de São Joaquim (GIL 2008).

Os dados primários foram obtidos, a partir de duas ferramentas específicas, as planilhas de observação dos estabelecimentos de restauração e de hospedagem e o diário de campo. Nele foram anotadas as informações adicionais que ajudam a completar os dados obtidos durante a pesquisa (MAY, 2004).

Os dados secundários e as informações necessárias à localização dos objetos da pesquisa foram fornecidos por funcionários da prefeitura local. Os dados foram analisados de forma qualitativa. O diagnóstico prevê uma abordagem subjetiva do tema, porém estruturada a partir das referências utilizadas no trabalho.

Foram estudados 57 empreendimentos de hospedagem e restauração: 19 restaurantes, quatro lanchonetes; seis hotéis, oito pousadas urbanas, sete pousadas rurais e onze vinícolas.

Além destes, foram visitados, uma área denominada Belvedere, de onde é possível ver grande parte da cidade e arredores; o museu Histórico, a Casa da Cultura e o centro de eventos, onde se localizada um espaço de amostra do artesanato local, denominado de Exponeve.

Os restaurantes e lanchonetes juntam somam aproximadamente 1.570 pax, com uma média de 70 lugares por estabelecimento. Há pouca diversidade gastronômica, tendendo para a cozinha regional, onde aparecem pratos típicos da região, como o frescal, paçoca de pinhão e entrevero. Há um restaurante japonês tradicional e dois especializados em fondue. A maioria dos estabelecimentos trabalha com serviço de buffet com grelhados, durante o almoço e à noite utilizam o sistema à la carte. A maioria dos trabalhadores não possui qualificação profissional e poucos fizeram capacitação para manipuladores de alimentos. Contudo, observa-se que os mesmos possuem boas práticas na manipulação dos alimentos. O setor experimenta um desenvolvimento positivo.

Os meios de hospedagem juntos somam 640 leitos. O maior número encontra-se nos hotéis (média de 35), as pousadas 12. As acomodações são simples, porém confortáveis. Os empreendimentos contam com sistema de aquecimento. Em alguns há um desgaste, tanto das acomodações, quanto dos proprietários, desiludidos com o setor, dois fecharam as portas.

Por outro lado, as vinícolas estão investindo para receber o turista. Oferecem programas diferentes aos seus visitantes, como tour pela vinícola, picnic e almoço à sombra dos vinhedos. Novos empreendimentos estão se instalando na região e com perspectivas diferenciadas de atuação. Os empresários do setor acreditam que o enoturismo tem potencial para dinamizar a região.

A pesquisa contemplou os atrativos naturais e culturais. O evento que mais importante era a Festa da Maçã. O Festival de Inverno acontece entre junho e agosto. Torneios de laço, três feiras de gado e o Raly das Serras, movimentam o Parque da Maçã durante o ano.

Os museus, histórico e da cultura; a igreja matriz, construída em pedra basalto; as esculturas do artista Elso Outuki; a Exponeve, são atrativos importantes.

São Joaquim é rico em belezas naturais, o mirante dos Pinheiros, os campos, suas cachoeiras, cavernas e a rara paleotoca (tocas de animais da extinta megafauna), concorrem com o vinho para atrair a atenção do visitante.

São Joaquim possui uma forte vocação para diferentes ramos do turismo, principalmente o enoturismo. Contudo, os diferentes setores da sociedade local devem reunir esforços para impulsionar este ramo de sua economia.

Primeiramente, o município deve mostrar os atrativos que possui, cativando os visitantes, para que os mesmos permaneçam mais tempo na região. Apesar de ser um povo bastante receptivo, há a necessidade de qualificar e estimular os trabalhadores a permanecerem na atividade turística.

O setor de hospedagem carece de incentivos para torná-lo mais atraente aos visitantes.

A vitivinicultura possui um papel muito importante no desenvolvimento do município, impulsionando os demais setores da economia, principalmente os serviços, no sentido de oferecer produtos de qualidade aos turistas que visitam a cidade.

Os resultados do diagnóstico produziram um guia de turismo online, com todas as informações necessárias ao turista que deseja conhecer São Joaquim, estas informações estarão sendo entregues a Prefeitura da Cidade com o objetivo de tornar público e disponível no site da cidade.

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REFERÊNCIAS

BATHKE, Maria Eliza Martorano. O turismo sustentável rural como alternativa complementar de renda à propriedade agrícola: estudo de caso – Fazenda Água Santa – São Joaquim-SC. Florianópolis, 2002. 149p. Dissertação (Mestrado) – Universidade Federal de Santa Catarina.

COSTA, A. e KASTENHOLZ E. O Enoturismo como factor de desenvolvimento das regiões mais desfavorecidas. In. 1º Congresso de Desenvolvimento Regional do Cabo Verde, 6 a 11 de Julho, 2009.

CORDEIRO, W. C.. A vitivinicultura em São Joaquim – SC: uma nova atividade no município, 2006. Dissertação de mestrado em Agroecossistemas – CCA-UFSC.

GIL, Antonio Carlos. Como elaborar projetos de pesquisa. 5. ed. São Paulo: Atlas, 2008.

MAY, Tim. Pesquisa Social. Questões, métodos e processos. Porto Alegre. Ed. Artmed, 3ª
ed., 2004, 288p.

NOVAIS C. B. e ANTUNES J. O contributo do Enoturismo para o desenvolvimento regional: o caso das Rotas dos Vinhos. In. 1º Congresso de Desenvolvimento Regional do Cabo Verde, 6 a 11 de Julho, 2009.

SIMÕES, Orlando. Enoturismo em Portugal; as Rotas de Vinhos. PASSOS, Revista de Turismo e Patrimônio Cultural. Vol. 6 Nº 2 pags. 269-279. 2008. Special Issue – Número Especial

ZANINI, T. V. e ROCHA, J. M. da. O Enoturismo no Brasil: um estudo comparativo entre as regiões vinícolas do Vale dos Vinhedos (RS) e do Vale do São Francisco (BA/PE). Turismo em Análise. Vol. 21, n. 1, abril 2010. P 68-88.

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